O impacto negativo da indústria da moda tradicional não é mais segredo para ninguém, mas a necessidade de mudarmos nossos hábitos de consumo é algo para sempre mantermos em pauta

A gente já falou aqui no blog sobre os diferentes modelos de negócios na moda – e as consequências de cada um.

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Um deles, o fast fashion, surgiu para democratizar a moda, mas hoje se traduz na fabricação de roupas em larga escala, seguindo tendências efêmeras, e com perda de qualidade e durabilidade.

Com caimento levemente estruturado, a echarpe Molise foi confeccionada em gaze de linho e tingida naturalmente com extrato de casca de cebola. O processo, além de valorizar as cores da natureza, é ambientalmente limpo.

Moda cronicamente inviável

O problema começa na matéria prima. Contaminação do ambiente, alta demanda por recursos e criação de animais em condições cruéis acabam fazendo parte dessa etapa.

Já o processo produtivo, além de demandar grandes quantidades de recursos (água e energia), também é pautado pelo desperdício.

De acordo com dados do Grupo PET de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal da Bahia (petesa.eng.ufba.br/), a geração dos resíduos têxteis representa 175 mil toneladas por ano.

E ainda temos o uso de mão de obra barata e com condições de trabalho insalubres, e o transporte dessa produção, que implica na poluição do ar (dependendo do meio utilizado).

Já comercialização faz uma triagem que resulta em muitas peças descartadas antes mesmo de chegar no mostruário. Segundo a plataforma online de sustentabilidade Autossustentável (autossustentavel.com/), estima-se que, anualmente, cerca de 80 bilhões de peças de vestuário sejam jogadas fora.

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O novo consumidor

Mas uma nova geração de consumidores já tem pressionado as marcas a irem além do marketing na hora de se posicionar no mercado.

Em geral mais conectada, ela é exigente e rigorosa com os produtos e serviços que adquire. E reivindica (mas também reconhece) a ética e a transparência.

A t-shirt básica Lima (à esq.) é produzida com 88% de algodão certificado, uma garantia de que foram seguidas e incentivadas iniciativas sustentáveis em todos os passos da cadeia – da produção ao varejo; o vestido midi Toulon é feito com modal, fibra 100% natural extraída da madeira faia, e produzido sem substâncias nocivas ao meio ambiente.

Com isso, as grandes empresas do setor têxtil e da indústria da moda têm investido para minimizar os impactos ambientais que elas próprias geram.

Mas também é verdade afirmar que boa parte das novas respostas têm sido dada por marcas menores e independentes. Produções que trazem a pegada slow como modelo de negócio.

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O poder de escolha do consumidor é a grande motriz para mudanças, uma vez que cabe a cada um de nós valorizar mais esse tipo de produção.

A blusa meia manga Ushuaia (à esq.) é produzida com algodão de descarte + PET reciclado (para cada camiseta são 2 garrafas PET a menos no planeta). Já a regata Lampedusa é outra peça MyBasic produzida com modal, fibra 100% natural extraída da madeira faia

E, como produtores, nosso papel é oferecer boas alternativas para que isso aconteça.  

Aqui na MyBasic a atemporalidade do design e a qualidade sempre foram formas de agregar valor ao que você compra, produzindo roupas duráveis.

Além disso, 100% das nossas peças são feitas no Brasil, como forma de estimular a economia local, gerar renda para populações em situação de vulnerabilidade e utilizar mão de obra ética.

Mão de obra

A busca por relações transparentes, equilibradas e humanizadas nos levou à parceria com o Instituto Ecotece, que tem como missão gerar soluções criativas – para prover um jeito de se “vestir consciente” – e que conecta projetos relacionados à sustentabilidade e práticas educativas na periferia de São Paulo.

Tudo começou com um pequeno projeto de doações de peças e retalhos à ONG. A ideia era que as sobras não fossem descartadas no meio ambiente. Nas mãos das costureiras da Ecotece, os retalhos viraram peças que foram compradas pela MyBasic, possibilitando geração de renda.

No início, a colaboração contemplava apenas a produção de um modelo de t-shirt. Hoje, a Ecotece, por meio da capacitação de costureiras, produz peças de vários modelos para nossa marca – garantindo uma mão de obra qualificada, humanizada e correta.

Calça de sarja com botões Volterra: perfeita para uma produção mais arrumada e confeccionada em parceria com o movimento #EUVISTOOBEM, que trabalha com mulheres encarceradas.

Um dos exemplos dessa mão de obra é o pessoal da Sol Nascente, cooperativa formada por costureiras da comunidade de mesmo nome, localizada na Zona Oeste de São Paulo. “Levamos trabalho até mulheres que não podem sair da comunidade por diferentes motivos, inclusive porque são as responsáveis por parentes doentes”, explica Lia Spinola, diretora do Instituto Ecotece. “Foi com essa demanda [da MyBasic] que elas criaram o grupo Sol Nascente, e o resultado foi ótimo”.

Hoje o grupo está entre os nossos parceiros constantes – o que também é essencial nesse tipo de parceria: quanto mais longeva e constante mais efetivos são os resultados. Caso do trabalho envolvendo grupos ligados à rede CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) – também parceira da Ecotece. Entre eles, já temos demandas com a Oficina dos Anjos e o Coletivo CUPINS (Central de Pessoas Inventando Novas Saídas).

Camisa Cortona: modelo de alfaiataria básico e sofisticado, e peça feita à mão por mulheres assistidas pelo Instituto Ecotece.

Um dos (lindos) exemplos desse trabalho que já dura oito anos é camisa alfaiataria Cortona, um modelo básico e ao mesmo tempo sofisticado de alfaiataria. A Cortona é aquele tipo de camisa que vai com tudo, desde o trabalho mais social até um final de semana casual – se usada por baixo de um vestido de alcinha, por exemplo, e mule.

Slow fashion

Na moda, o slow incentiva que pensemos sobre os impactos de nossas escolhas relacionadas ao consumo, de como afetam o ambiente e as pessoas. Ele incentiva o consumo consciente, que não cede ao excesso nem gera tanto descarte. Exemplo disso é que, entre seus princípios, estão o design atemporal – em vez de se render a tendências passageiras – e a preocupação com a mão de obra consciente, tecidos sustentáveis e preços justos (para todos os envolvidos).

Não é uma conta simples de fechar. Mas a boa notícia é que cada vez mais vemos surgir novas marcas – em geral, mais locais – com propostas que desafiam conceitos hegemônicos. Por que trocar todo o armário a cada estação se você pode ter peças que te acompanham em diferentes fases da sua vida? Por que lotar seu guarda-roupa se é possível ganhar vários jogos com os curingas certos? Por que não privilegiar uma marca que sabemos ter um trabalho consistente com ONGs sérias e que geram oportunidades para quem precisa?

São essas as perguntas que a MyBasic se faz diariamente. Quem é nosso cliente sabe que não trabalhamos com coleções a cada estação justamente por isso. Não “queimamos estoque” porque nossas peças são atemporais e primam pela qualidade (produção, tecido etc.). Dessa forma, elas nunca saem de moda.

Também em nosso SALE: t-shirt básica Chillon e blusa Haifa

Mas o fato de não fazemos liquidações não quer dizer que não ofereçamos preços ou condições especiais para você adquirir nossos produtos! Nossa aba SALE, por exemplo, está sempre cheia de oportunidades, produtos com valores diferenciados e ações que incentivam um consumo consciente.

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