Upcycling é o processo que transforma produtos descartados ou parados em novos produtos – sem dúvida, uma saída inteligente e necessária em um mundo onde se produz muito mais do que se consome.


LANÇAMOS NOSSA PRIMEIRA LINHA UPCYCLING EM PARCERIA COM A COMAS, marca que desenvolve um maravilhoso trabalho desta técnica na moda. Conversamos com sua fundadora, Agustina Comas, uma uruguaia que vem promovendo intensamente essa nova proposta no Brasil.

Como surgiu a parceria Comas / MyBasic?
Agustina Comas: “Conheci a MyBasic desde que a marca nasceu e sempre acompanhei o trabalho, que considero muito bom. Há alguns anos, participando de um grupo que atua em projetos com causa, conheci a Carol e a Bruna, as fundadoras da MyBasic. Começamos a conversar no começo deste ano e conseguimos lançar nossa linha juntas. Esta é a primeira parceria com uma grande marca e estou muito feliz em realizar esse trabalho colaborativo e fundamental no mundo da moda.”

De que forma o upcycling colabora para a redução do descarte da industria da moda? Você tem números?
Agustina Comas: “A sobra de roupas no Brasil é muito grande – cerca de 5% da produção total. O sistema de varejo considera essa sobra, pois como não é possível saber o que o consumidor vai escolher, a estratégia é apostar em vários modelos, cores e estampas. O varejo assume essa perda como parte do negócio e o prejuízo das peças que ficam paradas nos estoques é amortizado pelas peças que são vendidas.”

Em 2018, o Brasil produziu 5,8 bilhões de peças de roupas, e se cruzarmos os 5%, temos 288 milhões de peças que “sobraram”. O que acontece com essa sobra vai depender do que a marca se propõe: se as peças são muito boas e atemporais, elas continuam sendo vendidas. Mas quando se trata de peças “datadas”, que seguem a moda passageira, elas acabam sendo queimadas ou aterradas. A ideia do upcycling é aproveitar esse material é dar novo sentido para as peças para que elas possam ser aproveitas e não destruídas, contaminando o meio ambiente.

Conte um pouco da sua história e como foi o ponto de virada para o upcycling.
Agustina Comas: “Me formei em Design Industrial – Habilitação Têxtil na Moda, em 2004 no Uruguai, e sempre me incomodei por estar construindo uma carreira que promove a maior produção em um já tão mundo cheio de coisas. Como trabalhei no mercado tradicional, tive a oportunidade de entender o sistema e o quanto se perde, para a partir dessa observação, começar em 2008 (junto com minha amiga Ana Pires), a desenvolver uma forma de transformar as roupas “mortas” que sobram do varejo, em novas pecas. Desde então, eu venho trabalhando e aprimorando esse processo, procurando aplicá-lo em escalas cada vez maiores.”

O que você espera da parceria Comas + MyBasic?
Agustina Comas: “Espero que as pessoas gostem das peças, pois a experiência com a MyBasic está muito alinhada com minha visão: a de implantar o upycling como uma forma de produção contínua que convive com a produção tradicional. A ideia é que as marcas possam ter sempre uma linha upcycling com as roupas que não são vendidas, e que o cliente possa consumir esse produto para realmente podermos falar em economia circular. Quero muito continuar esse trabalho para que mais estilistas, modelistas, costureiras, enfim, todos os profissionais da moda assumam o upycling como uma nova (e necessária) forma de produção, que pode perfeitamente, conviver com o modelo tradicional.”

O que a consumidora deve pensar na hora de comprar uma roupa?
Agustina Comas: “Primeiro é se ela vai realmente usar. Depois, se a roupa tem qualidade para durar muito, sem sair de moda. Por último, mas não menos importante: se a marca tem boas práticas em seu processo produtivo.”

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